Estava sol naquela tarde, eu e Candyce estávamos no meu quarto jogando para fora do meu closet todas as roupas possíveis para ir ao bar, era uma noite muito esperada e especial para nós, Candy tirou um mini vestido azul marinho, tomara que caia, uma meia fina vermelha e um casaco de manga três quartos de couro preto para mim, eu vesti e fiquei parecendo uma Barbie do rock, era assim que Candy me via, a Barbie, certinha, simpática com todos, popular, e inteligente, enquanto ela era a líder de torcida desbocada, e rebelde, por isso ela pegou uma calça de couro, que se ajustou perfeitamente a perna fina dela, e uma camisa larguinha branca com umas estampas no estilo punk, Ela penteou o cabelo loiro dela como sempre, a franginha dava a ela um tom de menina que balanceava todo o look, ela vestiu uma bota de cano curtíssimo e ficou parecendo uma diva do rock, eu coloquei o meu sapato bonequinha e ficamos as duas nos olhando no espelho de corpo inteiro. Essa era a noite, a noite que Foxtown nunca esqueceria, a noite mais perfeita de todas, a noite da qual iríamos nos apresentar no FoxMusic Disco. Dá pra imaginar? O lugar mais badalado da cidade iria nos receber, isso tudo com a minha melhor amiga, nem da pra acreditar, Candy parecia estar tendo o mesmo pensamento que eu por que segurou a minha mão, e continuou a observar o nosso reflexo no espelho.
- Queria poder congelar essa noite. – Eu disse. – Queria que pudéssemos viver nela todos os dias. Eu observei meus cabelos longos no tom castanho meio avermelhado até a cintura balançar enquanto eu me virava para abraçá-la.
Candy retribuiu o abraço com muita força, e sorriu pra mim.
- Eu não, essa vai ser apenas a primeira noite, de muitas, nosso sucesso começa hoje, e esse barzinho de cidade local vai guardar esta noite pra sempre, quando ganharmos o Grammy eles vão sorrir e dizer, elas já tocaram aqui. – Candy ria de tão entusiasmada.
Rir não era muito do feitio de Candy, e assim que a porta foi aberta num estrondo, Candy fechou o sorriso e se largou no pufe do lado do espelho, Eu nem precisei me virar para saber quem havia praticamente arrombado a porta do meu quarto, por que era obvio, e explicava a cara feia de Candy.
- Ai Meu Deus – Disse Vanessa. - Vocês duas estão perfeitas, nem da pra acreditar que vocês vão cantar no FoxMusic Disco, a gente nem tem idade pra entrar, imagine para tocar, to muito orgulhosa de vocês- Vanessa veio em minha direção com os braços abertos para me dar um abraço, os cabelos longos e cacheados no tom de ruivo mais bonito que já vi davam varias voltas no ar enquanto ela corria, assim que eu a abracei eu sorri e disse um obrigada sem jeito, do lado de Vanessa estava Jessica, a baixinha de cabelos Chanel e pretos, que o rosto de Jessica era igual ao de Candy, na verdade elas eram muito parecidas, baixinhas, de olhos azuis piscina, rostinho redondo.
Jessica acenou para Candy, que deu um sorriso amarelo de volta. Candy não gostava muito de Jessica e Vanessa, elas eram tudo o que a Candy achava de ruim em uma menina, eufóricas, certinhas demais, e sem personalidade, é claro que isso não era verdade, Candy não gostava delas, por que tinha um ciúmes enorme de mim, e já até havia admitido isso, quando encheu a cara pela primeira vez, isso teve uma coisa boa, porque as meninas compreendiam ela agora, e ruim, porque Candy havia desenvolvido um certo relacionamento intimo com a bebida. Jessica sentou na minha cama lotada de roupas, e Vanessa quando me soltou sorriu amigavelmente para Candy, elas eram mais simpáticas do que Candy merecia, Minha mãe apareceu no quarto, com os cabelos loiros e lisos até a cintura, o rostinho eterno dos 25 anos dela, eram um tanto cômico, afinal ela parecia pertencer ao meu mundo dos Teenagers, e não do das mães, apesar do rostinho e corpinho e alma extremamente jovens, ela era a mãe mais exemplar que eu já vi.
- Candy obrigada por colocar uma roupa de verdade na minha filha, nunca vi uma adolescente tão careta! – Minha mãe fez uma careta, e Candy sorriu divertida, minha mãe odiava o meu estilo convencional, mas não era tudo isso, eu até gostava de umas roupas descoladas, é só que ter uma mãe com 2.402 anos e mesmo assim se sentir jovem, é algo de difícil competição. – Meninas vocês estão lindas! Mas vamos! Eu vou levar vocês. – Minha mãe jogou a chave do carro para cima e a pegou assim que a chave caiu graciosamente na sua mão, minha mãe tinha o costume irritante de manipular todos em sua volta, era um tanto irônico que ela pudesse controlar também o vento.
As meninas foram em direção a porta e as acompanhei, quando eu sai do quarto olhei para as meninas que já estavam descendo as escadas e encarei a minha mãe e logo encarei a chave.
- Muito engraçado mãe! – Eu sorri e ela veio gargalhando atrás de mim.
- Você esta tendo um ataque de estrela filhinha? Tudo bem, vou te dar um desconto então, normalmente você acha o seu senso de humor mais rápido do que hoje!
- Okay Dona Elle! Vamos indo antes que eu acabe deixando todo o senso de humor pra trás! – Todas deram um risinho tímido e então saímos de casa, meu pai estava com o meu irmão menor pescando no rio, ele não era bom pescador, mas achamos melhor ele não me ver vestida indo para um rock bar, ele poderia enfartar, já era demais ser o chefe de família de uma família onde uma deusa e uma semi deusa ficavam de TPM no mesmo dia.
A viajem de carro foi rápida, chegamos ao rock bar, e Candy logo avistou o melhor amigo dela, Sean Carter. Ela correu em direção a ele, e eu me lembro como se fosse hoje, ela sorriu pra mim e entrou, e foi a ultima vez que eu a vi naquela noite, o resto na noite foi um desastre, chegou a nossa vez de cantar e ela não estava, cantei uma musica acústica nada haver com o rock bar, ficou bem legal, as pessoas gostaram, mas eu nem liguei pra elogio nenhum, a única coisa que passava pela minha cabeça era cadê a Candy?
Todas as más línguas do estabelecimento falavam, “ela esta com o tal do Sean”, e as pessoas pensavam, “ela e esse Sean já estão num quartinho escuro há muito tempo, e essa pobre menina esta aqui acreditando que algo de muito errado aconteceu!” eu não sou telepata, mas era o que as pessoas pensam, e quer saber? Até eu estava pensando isso, fiquei a noite inteira com Jessy e Vanessa, preocupada com aqueles dois, podia ser um sequestro, Candy nunca perderia aquela oportunidade. A noite acabou as doze badaladas soaram e minha mãe chegou para nos buscar.
- Como foi meninas? – Minha mãe perguntava animada quando entramos no carro, e antes que pudéssemos responder, ela me olhou preocupada. – Ué, cadê a Candy?
Jessy e Vanessa me olharam com os olhos arregalados de dúvida, e eu disse olhando para a janela para dar a impressão de que não ligava.
- Saiu mais cedo, a tia Jenise precisou dela. – Falei normalmente, mas eu estava muito nervosa com tudo aquilo, e se realmente tivesse acontecido algo?
Minha mãe decorreu por alguns minutos sobre como Jenise era ótima em ioga, até entregar Jessy e Vanessa em seus respectivos lares. Cheguei em casa tomei banho, e fiquei a espera do sono, mas nada dele, foi só a primeira de muitas noites sem dormir, quando as 5 da manhã eu escuto Candy no fim da rua, com a caminhonete de Sean.
Eu sai nas pontas dos pés em direção a escada e desci devagar até encontrar Candy na calçada com a caminhonete de Sean já virando a esquina.
- O que aconteceu? – Eu perguntei sussurrando, embora ainda falasse num tom de raiva.
- Sean me contou que teria um show no Harry’s e então decidimos ir, depois de algumas bebidas... – Embora o Harry’s fosse barra pesada, e ela não ter me contado, ela parecia brava, eu esperei que ela me contasse o que era e fiquei olhando para ela na expectativa.
Ela me olhou feio por uns segundos, até que revirou os olhos tentando demonstrar que a frase seguinte era irrelevante.
- Não aconteceu NADA Mary, não me olha assim! – Ela virou o rosto e cruzou os braços. Eu a conhecia muito bem para saber que essa era a forma mais gritante de ela falar que, Sim, aconteceu alguma coisa, e era para continuar a olhá-la assim, por que ela tinha muitas coisas para falar. Então eu esperei e então ela bufou e se virou para começar a gritar a verdade, ela me olhou, então começou a chorar.
- Me desculpa Mary! Me perdoa por favor! – Eu fiquei totalmente confusa, como assim, mesmo sabendo que ela tinha todos os motivos para me pedir de desculpas, ela estava pedindo perdão, e as coisas estavam pior do que eu imaginava. Bem pior.
Depois de entrar e Candy me contar que foi horrível estar no Harry’s, e que ela e o Sean foram lá porque estavam muito bêbados, e depois de ela se apresentar, ela e o Sean acabaram dormindo juntos, e que se arrependia muito, eu tinha que concordar, ela estava mal, mas eu sabia o que fazer, minha mãe estava atualmente em 12 instituições, programas e grupos beneficentes, de apoio, e serviço social, e um deles era para os viciados em bebidas da cidade, eu peguei na maleta dela e fiz Candy prometer que iria se tratar, afinal uma garota de 17 anos, não devia ser uma Alcohollic. As coisas aparentemente voltaram ao lugar, mas no final daquele mês de Junho, três meses depois do terrível acontecimento, como presente de aniversário Candy e eu passamos o dia discutindo. Discutindo os prós e os contras de fazer os testes de gravidez, (os contras eram totalmente dela), e os prós e os contras de se fazer um aborto. (os contras eram totalmente meus).
- E se der positivo? – Ela me olhou triste, ela nunca demonstrava tristeza, ela já havia chorado, desabafado, mas tristeza nunca foi a cara de Candy.
- Você vai ser uma ótima mãe Candy. –Eu disse me sentando ao lado dela no chão do meu banheiro.
- Esse é o problema, eu não quero, eu não quero ser mãe! – Ela disse passando os dedos na divisão dos azulejos.
- Candy, faz o teste, depois sabendo o resultado, a gente vai saber! – Eu acho que ela sempre soube que estava grávida, que aquele teste era só uma exposição, que ela não queria de jeito nenhum, por ela, ela iria para uma fazendo no Alabama, e teria o bebê lá, e voltaria sem nunca dizer nada a ninguém, mas eu percebi tudo, assim que os dois riquinhos do teste apareceu, Candy começou a gritar feito uma louca, eu estava na ponta da minha cama apenas observando a histeria de Candy que por fim, sentou ao meu lado e chorou até de madrugada. Ela aguentaria ser uma mãe adolescente, Sean nunca a deixaria sozinha, só que ser mãe não era a de Candy, ela achava esse sonho provinciano, pequeno e ridículo, e ainda por cima, que ela estava se apresentando até em Peterson, cidade vizinha da nossa. Era o sonho dela, virar uma cantora internacional, ela estava totalmente decidida de fazer um aborto, ela sabia que eu nunca permitiria então, estava tentando ficar longe de mim por algumas horas que fossem para escapar para alguma clinica de abortos, foi então que a maior de todas as gritarias começou, contei tudo para Sean, que ficou pasmo, mas como eu, achava a idéia de um aborto repulsiva, ficávamos vigiando Candy, a seguíamos, até que um dia quando ela estava perto dos 4 meses, ela realmente conseguiu escapar, e foi para a clinica perto do centro, eu e Sean conseguimos segui-la, mas ela estava chorando no banquinho da frente, ela repetia, “esta tudo acabado” debilmente, tínhamos certeza que ela tinha feito, e ficamos irados com ela, até que ela falou, que teria que recusar uma proposta de uma gravadora em Nova Iorque, porque não tinha coragem de fazer o aborto, apesar da felicidade que me dominou pelo bebê ainda estar vivo, eu por um segundo entendi Candy, e achei que o bebê era um problema, Sean sentou do lado dela e eu esperei no carro, queria ir lá e ficar sabendo de tudo, mas me segurei, mesmo sabendo que eles eram cabeças duras, era bem capaz de Sean ceder a Candy, então eu sai da caminhonete e encontrei os dois calados, olhando pro nada, então eu lembro que no momento em que a idéia chegou, ela escapou pelos meus lábios.
- Eu vou ficar com o bebê!
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